Crónicas dos Arcos
Gestão Educacional. A cereja no cimo do bolo!
Praticamente chegados ao final de mais um ano, é altura para as usuais reflexões e revistas.
Este ano de 2007, foi profícuo em acontecimentos que marcaram a política, a economia, a sociedade, a cultura e o desporto. No entanto, não caberá aqui (ou hoje) efectuar essa “revisão da matéria”. Mas destacar, mais uma vez e infelizmente, pela negativa, um sector que, durante 2007, foi repetidamente alvo de análise: o sistema de ensino.
Depois das badaladas aulas de substituição e do controverso (avanço e recuo) estatuto do aluno, já na recta final deste ano (há cerca de duas semanas) o Primeiro-Ministro, no debate da nação, sob a égide da educação, apresentava mais uma medida estrutural do nosso ensino: os conselhos gerais escolares. Esta nova medida governativa prevê alterações à lei de autonomia, gestão e administração escolar. De acordo com o projecto de lei elaborado pelo Governo, é estabelecido um Conselho Geral que terá vinte elementos (máximo), sendo constituído por professores, funcionários não docentes, encarregados de educação, representantes da autarquia e da comunidade local. No entanto este órgão não poderá ser presidido por um docente e terá competência (entre outras) para eleger ou demitir o director (este sim, professor).
Pretende esta “inovação”, segundo as próprias palavras de José Sócrates, “abrir a escola, reforçando a participação das famílias e comunidades na sua direcção estratégica - favorecer a constituição de lideranças fortes nas escolas e reforçar a autonomia das escolas”.
Do governo (seja ele qual for) esperam-se, de facto, reformas. Mas reformas estruturadas, coerentes, capazes de promoverem desenvolvimento social e económico e que tragam qualidade de vida. No caso concreto do ensino, num dos sectores vitais da sociedade, espera-se que as reformas educativas não passem de demagogias ou propostas que disfarcem e tentem fazer esquecer o essencial: a educação “bateu no fundo”. Faltam reformas eficazes de programas, currículos, de uma reestruturação que devolva o papel natural ao professor, que promova a verdadeira aquisição do conhecimento, do saber e da prática ao aluno e o prepare para a sua inclusão na sociedade futura.
È bem verdade que as escolas têm, forçosamente, de mudar de mentalidade. Seja o que for que, neste momento, isso signifique.
Significa, eventualmente, que se valorize mais a criatividade dos alunos (menos “débito” de matéria), que se ensine a pensar e a raciocinar, em alternativa ao mero decorar, que se promova a leitura, a discussão, a cidadania. É preciso reformar a educação, de forma a que a escola seja um espaço onde a liberdade, a cidadania e a afectividade produzam valores e conhecimento, satisfaçam curiosidades e emoções e criem saber.
Se a escola é de e para os alunos, não é menos verdade que sem professores valorizados, o ensino estaria totalmente vazio. Portanto, quem melhor para gerir esta realidade, senão os próprios professores?
Para quê abrir ainda mais a escola à comunidade?! Para continuar a “castrar” o futuro da nossa sociedade, tornando os seus actores cada vez mais desumanos, menos habilitados, mas mais sociais?! Para tal existem outras realidades e sectores da sociedade que possam cumprir eficazmente esse papel. A escola necessita de voltar a ser “escola”.
Neste país, que comunidade é que encontramos preparada para gerir um processo pedagógico público que ofereça qualidade e que não deturpe o objectivo principal que é o do enriquecimento do saber? O insucesso e a triste realidade do ensino, não são sustentados no facto da gestão das nossas escolas ter sido, até hoje, da responsabilidade dos professores.
Pela mesma lógica, qualquer dia, teremos os professores a gerir hospitais, juízes a gerir escolas e médicos os tribunais.
É necessário não confundir as realidades. Já existem estruturas suficientes para valorizar o papel da sociedade/comunidade no processo educativo: as associações de pais, dos alunos, os conselhos municipais de educação, as organizações sindicais, etc.
Quebre-se o mito de que, pelo facto de se ser pai ou educador, se percebe de ensino e de escolas.
A reforma mais importante será aquela que revelar uma educação assente no princípio ambiental: Reduzir (por exemplo o número de alunos por turma, beneficiando a sua aprendizagem e o papel do professor); Reciclar sistemas que servem de entrave à aprendizagem, inovando o processo de ensino e Reutilizar os procedimentos pedagógicos que permitam dar nova vida à escola.
A escola tem de voltar a ser o lugar dos afectos, dos saberes e dos sabores.
Até para o Ano!
Gestão Educacional. A cereja no cimo do bolo!
Praticamente chegados ao final de mais um ano, é altura para as usuais reflexões e revistas.
Este ano de 2007, foi profícuo em acontecimentos que marcaram a política, a economia, a sociedade, a cultura e o desporto. No entanto, não caberá aqui (ou hoje) efectuar essa “revisão da matéria”. Mas destacar, mais uma vez e infelizmente, pela negativa, um sector que, durante 2007, foi repetidamente alvo de análise: o sistema de ensino.
Depois das badaladas aulas de substituição e do controverso (avanço e recuo) estatuto do aluno, já na recta final deste ano (há cerca de duas semanas) o Primeiro-Ministro, no debate da nação, sob a égide da educação, apresentava mais uma medida estrutural do nosso ensino: os conselhos gerais escolares. Esta nova medida governativa prevê alterações à lei de autonomia, gestão e administração escolar. De acordo com o projecto de lei elaborado pelo Governo, é estabelecido um Conselho Geral que terá vinte elementos (máximo), sendo constituído por professores, funcionários não docentes, encarregados de educação, representantes da autarquia e da comunidade local. No entanto este órgão não poderá ser presidido por um docente e terá competência (entre outras) para eleger ou demitir o director (este sim, professor).
Pretende esta “inovação”, segundo as próprias palavras de José Sócrates, “abrir a escola, reforçando a participação das famílias e comunidades na sua direcção estratégica - favorecer a constituição de lideranças fortes nas escolas e reforçar a autonomia das escolas”.
Do governo (seja ele qual for) esperam-se, de facto, reformas. Mas reformas estruturadas, coerentes, capazes de promoverem desenvolvimento social e económico e que tragam qualidade de vida. No caso concreto do ensino, num dos sectores vitais da sociedade, espera-se que as reformas educativas não passem de demagogias ou propostas que disfarcem e tentem fazer esquecer o essencial: a educação “bateu no fundo”. Faltam reformas eficazes de programas, currículos, de uma reestruturação que devolva o papel natural ao professor, que promova a verdadeira aquisição do conhecimento, do saber e da prática ao aluno e o prepare para a sua inclusão na sociedade futura.
È bem verdade que as escolas têm, forçosamente, de mudar de mentalidade. Seja o que for que, neste momento, isso signifique.
Significa, eventualmente, que se valorize mais a criatividade dos alunos (menos “débito” de matéria), que se ensine a pensar e a raciocinar, em alternativa ao mero decorar, que se promova a leitura, a discussão, a cidadania. É preciso reformar a educação, de forma a que a escola seja um espaço onde a liberdade, a cidadania e a afectividade produzam valores e conhecimento, satisfaçam curiosidades e emoções e criem saber.
Se a escola é de e para os alunos, não é menos verdade que sem professores valorizados, o ensino estaria totalmente vazio. Portanto, quem melhor para gerir esta realidade, senão os próprios professores?
Para quê abrir ainda mais a escola à comunidade?! Para continuar a “castrar” o futuro da nossa sociedade, tornando os seus actores cada vez mais desumanos, menos habilitados, mas mais sociais?! Para tal existem outras realidades e sectores da sociedade que possam cumprir eficazmente esse papel. A escola necessita de voltar a ser “escola”.
Neste país, que comunidade é que encontramos preparada para gerir um processo pedagógico público que ofereça qualidade e que não deturpe o objectivo principal que é o do enriquecimento do saber? O insucesso e a triste realidade do ensino, não são sustentados no facto da gestão das nossas escolas ter sido, até hoje, da responsabilidade dos professores.
Pela mesma lógica, qualquer dia, teremos os professores a gerir hospitais, juízes a gerir escolas e médicos os tribunais.
É necessário não confundir as realidades. Já existem estruturas suficientes para valorizar o papel da sociedade/comunidade no processo educativo: as associações de pais, dos alunos, os conselhos municipais de educação, as organizações sindicais, etc.
Quebre-se o mito de que, pelo facto de se ser pai ou educador, se percebe de ensino e de escolas.
A reforma mais importante será aquela que revelar uma educação assente no princípio ambiental: Reduzir (por exemplo o número de alunos por turma, beneficiando a sua aprendizagem e o papel do professor); Reciclar sistemas que servem de entrave à aprendizagem, inovando o processo de ensino e Reutilizar os procedimentos pedagógicos que permitam dar nova vida à escola.
A escola tem de voltar a ser o lugar dos afectos, dos saberes e dos sabores.
Até para o Ano!
